Caçadores criticam tutela por autorizações ilimitadas na caça aos javalis



A Federação Portuguesa de Caçadores (FPC)criticou hoje o Ministério da Agricultura pelas autorizações ilimitadas para caçadas aos javalis, uma atividade que consideram perigosa por haver, anualmente, registos de caçadores que perdem a vida nesta atividade.

Em declarações à agência Lusa, Hélder Ramos, presidente da FPC, exigiu que o Ministério da Agricultura “suspenda de imediato todas as atividades já agendadas”, tendo assegurado que “se se voltarem a verificar uma vez mais acidentes fatais”, irá acionar os meios legais ao seu alcance a fim de responsabilizar juridicamente a presidente do Instituto e Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e a ministra da Agricultura por estes incidentes.

“O Ministério da Agricultura teima em autorizar caçadas perigosas aos javalis onde anualmente caçadores perdem a vida e esta é uma situação inadmissível, tendo em conta o número de mortos e de feridos com balas de caçadeira verificados nos últimos quatro anos”, disse Hélder Ramos.

Segundo o dirigente associativo, que fez questão de defender os caçadores mas também as espécies cinegéticas, as caçadas vulgarmente conhecidas por milharias (ou montarias nos milhos), visam na sua maioria proporcionar aos seus organizadores avultados lucros com a venda dos postos, traduzindo-se, por outro lado, “em autênticas chacinas” uma vez que se abatem em massa os animais sem qualquer tipo de seleção.

“Este negócio gera muito dinheiro, tendo em conta que envolve centenas de participantes que pagam uma média de 150 a 300 euros por montaria, e que lança para o meio do milho mais 400 a 500 cães. No meio dos milheirais, e com a ânsia de disparar, muitas vezes são os caçadores a disparar sobre outros participantes”, observou.

“Esta atividade é horrenda, porque chegam a dizimar colónias inteiras de javalis, e extremamente perigosa, porque não oferece o mínimo de segurança e de organização”, vincou.

Hélder Ramos disse ainda que esta situação foi já por diversas vezes denunciada à tutela pela Federação Portuguesa de Caçadores, a qual terá inclusivamente proposto junto do Ministério da Agricultura e do ICNF soluções alternativas para resolver os estragos nas culturas de milho, tabaco e beterraba que passariam pela utilização de matilhas de cães sem recurso a armas de fogo.

“Desta forma os animais seriam afugentados para o seu habitat natural e não ocorreriam mortes acidentais advindas do recurso às armas de fogo”, defendeu.

Fonte: Lusa



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