CIBIO-UP Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos/InBIO Laboratório Associado



O coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) embora apresente uma ampla distribuição mundial originou-se na Península Ibérica onde co-existem duas subespécies: Oryctolagus cuniculus algirus (O. c. a) e Oryctolagus cuniculus cuniculus (O. c. c).
A subespécie O. c. a. está presente no Sudoeste da Península Ibérica e a subespécie O. c. c. ocupa o Nordeste da Península Ibérica, ocorrendo uma zona de contacto entre estas duas subespécies no Centro da Península Ibérica.

A Doença Hemorrágica Viral (DHV) é causada por um vírus do grupo dos calicivírus, e normalmente origina elevadas mortalidades em populações naturais de coelho-bravo de ambas as subespécies. Embora tenha sido desenvolvida uma vacina com elevados níveis de protecção contra o vírus que provoca a DHV, a vacinação de populações selvagens é impraticável, o que limita o combate à propagação da doença.

Na Península Ibérica, a DHV foi descrita pela primeira vez em 1989 e todas as estirpes virais isoladas até recentemente pertenciam à forma clássica da doença (tipicamente pertencentes ao grupo genético designado genogrupo 1). Em 2010 em França e em 2011 em Espanha foi identificada uma nova variante deste vírus que pode provocar mortalidades superiores a 50% e que se diferencia da forma clássica por originar mortalidade em juvenis (<2 meses) e em coelhos adultos vacinados em cunicultura. Esta nova estirpe é geneticamente muito distinta das formas clássicas até então identificadas na Península Ibérica apresentando mais de 15% de divergência.

No fim de 2012 e início de 2013, a Doutora Joana Abrantes e o Professor Pedro Esteves do CIBIO-UP, isolaram e sequenciaram estirpes virais do vírus da DHV em populações portuguesas, que mostraram ter uma grande semelhança com a nova estirpe detectada em Espanha (99%). Estes resultados confirmam que a nova estirpe de DHV se encontra actualmente a circular em Portugal.

Esta situação levanta questões pertinentes quanto à conservação e manutenção das populações de coelho-bravo, mas também quanto à sobrevivência de outras espécies emblemáticas do Ecossistema Mediterrânico que dependem do coelho-bravo, como as aves de rapina, o gato-bravo e o lince-Ibérico.

Fonte: Fencaça



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