Cientistas debatem na Lousã a reintrodução de ungulados na Península Ibérica

Cientistas portugueses e espanhóis vão debater na Lousã, na sexta-feira e no sábado, um plano capaz de conciliar os interesses em presença na reintrodução de diferentes ungulados na Península Ibérica.

O biólogo Carlos Fonseca (Investigador e professor da Universidade de Aveiro, e que acompanha desde 1995 os processos de reintrodução de veados e corços na Serra da Lousã), da organização da 10.ª Reunião de Ungulados Silvestres Ibéricos, disse hoje à agência Lusa que os cerca de 100 participantes do encontro pretendem “discutir os processos de reintrodução e renaturalização” desses animais, que “exigem planeamento e têm consequências” nos habitats naturais e nas explorações agrícolas.

Em causa, estão as populações de javalis, veados, corços, cabras-montesas e outros ungulados que existem nas áreas rurais ou mesmo urbanas de Portugal e Espanha.

O número destes cervídeos e de javalis tem aumentado todos os anos, o que se traduz em elevados prejuízos nas culturas agrícolas e plantações florestais, suscitando a contestação dos agricultores.

“O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) decidiu avançar com o estudo da população de javalis em Portugal”, o que permite “definir a estratégia para esta espécie numa base científica”, congratulou-se.

Carlos Fonseca salientou à Lusa que cerca de 30 mil javalis são abatidos anualmente em caçadas legais no país, sendo desconhecido o número de animais mortos através de diversos métodos de captura clandestina.

“O mundo rural é que devia beneficiar” com as receitas da caça autorizada de javalis, veados e outros ungulados, defendeu.

Segundo o docente universitário, é necessário que os investigadores, o Estado e as autarquias consigam “uma integração de todos os interesses” em presença – dos proprietários, caçadores e ambientalistas – relativamente à expansão das populações destes mamíferos.

A 10.ª Reunião de Ungulados Silvestres Ibéricos, subordinada ao tema dos “Desafios e Oportunidades” da renaturalização de ungulados nos dois países, integra-se nas comemorações dos 25 anos das reintroduções dos cervídeos na Serra da Lousã, iniciada em 1995.

O encontro é uma organização conjunta da Unidade de Vida Selvagem do Departamento de Biologia da UA e da Agência de Desenvolvimento da Serra da Lousã, com o apoio da Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto (ADXTUR), Associação para a Conservação do Habitat do Lobo-ibérico, Sociedade Espanhola para a Conservação e Estudo dos Mamíferos, ICNF e Câmara da Lousã, no distrito de Coimbra.

Os trabalhos começam na sexta-feira, às 09:30, no Centro de Formação e Técnicas Florestais (COTF), junto ao polo da Lousã da Escola Nacional de Bombeiros, e terminam na manhã de sábado, com uma saída de campo à Serra da Lousã.

Fonte: noticiasdecoimbra.pt

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