Declínio acentuado de alces alarma os cientistas



As populações de alces estão em declínio por toda a América do Norte e ninguém sabe bem porquê. Há 20 anos, o Estado do Minnesota tinha duas populações geograficamente separadas – uma delas praticamente desapareceu desde a década de 1990, passando de 4.000 indivíduos para menos de 100. O outro grupo está a decair a um ritmo de 25% ao ano, passando de 8.000 espécimes para menos de 3.000 actualmente.

Alguma coisa está a acontecer, mas a questão permanece pouco clara. Vários factores podem estar em jogo, mas o que parece pesar mais, para já, é o efeito das alterações climáticas.

Os Invernos estão a tornar-se substancialmente menores em grande parte da faixa ocupada pelos alces. Em New Hampshire, o Outono maior, com menos neve, fez aumentar o número de carrapatos – um parasita devastador. “Podem encontrar-se 100 mil carrapatos num alce”, disse Kristine Rines, bióloga do Fish and Game Department.

No Minnesota, os principais culpados são os vermes do cérebro e do fígado. Ambos passam parte dos seus ciclos de vida em caracóis, que prosperam em ambientes húmidos.

Outra teoria para o fenómeno é o stress provocado pelo calor. Os alces são animais de frio – quando a temperatura sobe acima dos -5º C, como tem acontecido mais frequentemente nos últimos anos, eles gastam mais energia para se manterem arrefecidos. Esta situação pode conduzir à exaustão e mesmo morte.

Nas Cariboo Mountains, na Colômbia Britânica, um estudo recente atribui o declínio dos alces à devastação generalizada da floresta por uma epidemia de besouros dos pinheiros, que parecem prosperar em climas mais quentes. A perda de árvores deixou os alces expostos a predadores, tanto humanos como animais.

A caça regulamentada também pode estar a desempenhar um papel importante na mortalidade, tal como os ataques de lobos, revela o The New York Times.

“É complicado porque existem muitas peças neste puzzle que podem ser afectadas pela mudança climática”, defende Erika Butler, veterinária de espécies selvagens no Departamento de Recursos Naturais do Minnesota.

Estas perdas lastimáveis representam, contudo, muito mais do que pode parecer à primeira vista. Os alces são verdadeiros engenheiros do ecossistema – ao escarafuncharem em arbustos, criam habitats para algumas aves de nidificação.

Além disso, contribuem para a economia. Em New Hampshire, por exemplo, o turismo de observação da espécie rende €85 milhões (R$ 250 milhões) por ano.

O alce é um membro da família do veado mas, ao contrário deste, é um animal solitário que não vive em rebanhos – o que torna difícil o seu controlo. Além disso, os alces têm níveis muito altos de gordura corporal que levam à sua rápida decomposição, dificultando também o estudo das mortes.

Fonte: Greensavers



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