Muflão (ovis amon musimon)



O Muflão é seguramente o mais estranho e o mais desconhecido da maioria dos caçadores portugueses. Primeiro porque não é uma espécie originária da Península Ibérica tendo, no entanto, aqui sido introduzido pelos Romanos, e em segundo lugar por serem muito poucos os núcleos populacionais existentes no nosso país, apesar de, nestes, os efectivos atingirem por vezes números significativos.

Pertencente à família dos ovídeos (Ovis), afirmam os Paleontologistas ser este o antecessor do carneiro doméstico. Assim e teoricamente, todos as espécies de carneiros e ovelhas que hoje se conhecem, seriam descendentes do Muflão da Córsega (designação usual da espécie por ser esta ilha o local de origem do muflão). Logo é uma espécie de caça maior completamente distinta das restantes que neste domínio foram já apresentadas.

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De coloração acastanhada que escurece à medida que a idade dos animais aumenta, o muflão macho exibe, quando se torna adulto, uma mancha branca de cada lado do dorso (designada por cela) e ainda um dimorfismo sexual nítido, patente no facto de apenas os machos possuírem hastes (cornos) de forma circular e que se desenvolvem inicialmente no seu sentido posterior formando depois um círculo até atingirem, por vezes, o aspecto de um círculo completo. E este é o troféu de caça do Muflão.

Enquanto animal bravio, o muflão, apesar de exibir umas orelhas de tamanho mínimo, apresenta capacidades equivalentes às das restantes espécies de caça maior, mas que me arriscaria a dizer muito mais desenvolvidas. O Ouvido consegue detectar o mais pequeno rumor a distâncias superiores a 200 metros. A capacidade visual em nada se compara com a seu descendente doméstico, já que frequentemente nos observa do alto de uma escarpa muito antes de nos termos apercebido da sua presença. Do Olfato, em contrapartida não se apercebe uma acuidade fora do vulgar mas tão somente aquela que é característica dos animais bravios. Para além disso evidencia uma capacidade de adaptação ao habitat extraordinária, bem como uma resistência física indescritível.

Apesar de se dar bem em qualquer tipo de coberto vegetal a espécie prefere as regiões mais declivosas e rochosas, por estas constituírem um factor defensivo mais favorável, pelo que, existindo estas, é ali que devemos procurar estes animais.

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Associado a esta capacidade de adaptação está o seu tipo de alimentação. Sendo um herbívoro por excelência, o muflão consome tudo o que a Natureza lhe disponibiliza desde as plantas leguminosas e forrageiras, passando pelos diferentes tipos de frutos silvestres, chegando a subsistir, em períodos de carência alimentar, à custa do simples mato e das estevas, sem por isso revelar perdas de peso ou enfraquecimento. Revela uma grande apetência por frutos de maior teor de açúcar, frequentando igualmente bem, as pedras de sal gema.

De uma forma mais geral e em termos alimentares, podemos comparar o muflão com a cabra doméstica.

Gregário, constitui grupos mistos sendo vulgar os machos acompanharem as fêmeas e respectivas crias, por vezes em número de indivíduos que pode ultrapassar as duas dezenas.

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Apesar de terem um período de reprodução definido (de Outubro a Dezembro) e de a gestação durar cerca de 5 meses, as fêmeas parem com frequência (em ambiente selvagem) duas crias, facto este que facilita um incremento rápido dos diferentes efectivos populacionais.

Outro atractivo da espécie é a rapidez de desenvolvimento do troféu dos machos que, por volta dos 4 anos de idade, exibem já uma armação com cerca de 50 cm de comprimento.

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No que se refere à existência da espécie no nosso país, os primeiro exemplares foram introduzidos nos princípios da década de 90 em algumas (poucas) Zonas de Caça Turística constituídas na Região Centro e no Alto e Baixo Alentejo, mas sempre em áreas vedadas com malha cinegética ( 2,20 m de altura). Os povoadores foram todos originários de diferentes regiões da vizinha Espanha, tendo os efectivos convivido frequentemente (quer na origem, quer no destino) com javalis e veados também existentes nas ditas Zonas de Caça. No entanto a sua facilidade de adaptação fez com que o seu desenvolvimento se sobrepusesse ao das outras espécies, facto este que levou os serviços competentes a exigiram às entidades gestores a realização de estudos de impacte ambiental morosos e caros, para então (e depois de levantarem montes de problemas) permitirem a introdução da meia dúzia de exemplares.

Mas diz o ditado que Deus escreve direito por linhas tortas, e em quase todas as zonas de introdução a espécie, no seu desenvolvimento natural, cresceu tanto e tão depressa que, não comportando o espaço disponível o número de animais existentes, estes começaram a fugir delas através do mais pequeno buraco ou passadiço das redes. A facilitar esta estratégia natural de povoamento esteve o facto de, em vários Invernos e devido a enxurradas e outras intempéries, as vedações se terem rompido ou até caído por largas extensões deixando as “prisões” de portas abertas (facto este devido, por vezes, a localizações ou construções deficientes).

E desta forma o Muflão povoou (repovoou) naturalmente as zonas envolventes, sendo vulgar observarem-se grandes grupos destes animais nas mais variadas zonas de caça abertas.

Falando agora dos processos de caça para o muflão podemos referir que todos os indicados neste tema servem, apesar de uns serem mais adequados que outros. É frequente o muflão ser caçado de montaria ou de batida mas estes não são os processos de caça mais aconselhados porque, quando entram aos postos, se deslocam em grandes corridas (muita rápidas) e frequentemente em rebanho, tornando-se muito difícil identificar um troféu razoável bem como conseguir um tiro eficaz com carabina. Raramente entram sozinhos e devagar.

Assim sendo os processo mais adequados são seguramente a aproximação (revalidando-se todos os conselhos e observações anteriormente apresentadas) e a espera, nos locais de comida e água.

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A imagem acima mostra-nos a evolução do troféu do muflão em função da idade; dela se constata que o animal tem um troféu dito completo, por volta dos 8 anos de idade (dois anos mais cedo que o Veado e o Gamo). Este facto permite considerar a espécie, em termos de gestão cinegética, como bastante rentável já que os seus troféus “se fazem” mais rapidamente do que os das restantes espécies. E tal como para as restantes, quando se caça de aproximação, devem-se ter em atenção as diferentes marcas de presença, tais como os rastos e a existência de folhas ruídas na vegetação, pois seguramente estes são sinais evidentes da presença dos muflões.

Sobre os calibres mais aconselhados para cobrar um muflão devemos tecer algumas considerações.

Foi referido mais acima que este animal evidenciava uma resistência física inconcebível. Apesar de atingido em áreas vitais, raramente fica no sítio, se estiver de sobreaviso ou desconfiado (a adrenalina tem nele um papel muito preponderante). Para as restantes espécies dizia eu que todos os os calibres possíveis para caça maior serviam, dependendo do gosto e habilidade do utilizador. No caso do muflão ressalvo esta informação para a utilização de calibres de grande poder de parada (e não grandes calibres) carregados com pontas de grande efeito de choque (p.ex. de ponta expansiva, macia e cabeça ogival). Já os vi caírem secos a 150 m, com tiros de coluna, e quando nos aproximamos para o cobro levantam-se qual bêbado e trambolhão aqui, levante ali, arrastam-se para o mais denso coberto vegetal de onde só se tiram com ajuda de um cão. Já os vi ficarem com coração e pulmões desfeitos, atirados com o 30.06 de ponta expansiva e correram 200 metros sem deixarem uma gota de sangue. Já os atirei com .243 e ponta expansiva de 100 grães, sem ter cobrado nenhum; deixam sangue com fartura que, á medida que se deslocam erraticamente, vai diminuindo até que se perde irremediavelmente (e nem sempre o cão vai ou está onde faz falta). Para dizer que os melhores resultados que conheço se obtiveram com o mínimo do calibre 270 W. com ponta de expansiva de 150 grães. Assim só posso recomendar a utilização de calibres que em termos de energia disponibilizem, pelo menos, 2 000 joules a 100 metros da boca do cano.

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