Polémica directora da Tapada de Mafra foi substituída

A Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada, entidade que gere Tapada Nacional de Mafra (TNM), tem nova gestão e Carlos Pais, engenheiro florestal, é o seu novo director. Foi empossado no passado dia 2 de Janeiro.

Os novos responsáveis pela direcção da cooperativa assumem funções depois de um longo contencioso que a anterior directora, Paula Simões, manteve com os trabalhadores desde que assumiu funções em Janeiro de 2016. Tinha terminado o seu mandato em Abril, mas continuava a exercer “actos de gestão” quando foi substituída no final de Dezembro, adiantou ao PÚBLICO Catarina Simão, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA).

O conturbado relacionamento entre Paula Simões e os trabalhadores da TNM tinha atingido o seu ponto crítico em 11 de Setembro passado, quando estes consumaram uma greve, alegando estarem a ser sujeitos a constantes “ameaças e pressões” por parte da directora do parque.

A paralisação tinha sido antecedida de uma queixa apresentada pelo STFPSSRA junto da Autoridade das Condições de Trabalho (ACT) por “assédio moral” aos trabalhadores. Na sequência da posição assumida pelos representantes dos trabalhadores, o director do Centro Local do Oeste da ACT, Vítor Manuel Araújo Bernardo, concluía no despacho que assinou e datado de 9 de Janeiro de 2019, o seguinte: “(…) Os factos apurados parecem ser suficientes para que a ACT considere terem ocorrido casos graves de assédio moral, bem como dúvidas relativamente à organização dos tempos de trabalho.” O despacho sugeria ainda que o auto de notícia a elaborar deveria incluir “uma imputação de responsabilidade a título de dolo”.

Decorrido quase um ano, não houve lugar a uma condenação. O anterior ministro da Agricultura, Capoulas Santos, não se manifestou sobre uma eventual demissão de Paula Simões, mesmo depois de saber que a contestação apresentada pela directora à ACT foi considerada “improcedente” e de o governante ter afirmado que “a demitia no minuto seguinte, se fosse provado” a existência de assédio moral aos trabalhadores da TNM.

Catarina Simão admite que a escolha do novo presidente só foi possível por ter sido “alterada a configuração do executivo governamental”, isto é, ter mudado o responsável pela pasta da Agricultura, facto que veio permitir a substituição da directora cessante.

Contudo, persiste o “passivo” resultante da sua gestão, nomeadamente o desaparecimento de espólio museológico do rei D. Carlos durante as filmagens de uma produção italo-americana, iniciadas em Setembro de 2018 e que se prolongaram até finais de Novembro. Durante este período de tempo, “circularam livremente cerca de 2500 figurantes, meio milhar de especialistas, 70 actores e cerca de 200 animais, incluindo um rebanho de ovelhas, em pleno ciclo da reprodução de veados e gamos”, recorda Catarina Simão. Desde essa altura que “não se sabe o resultado do desaparecimento das peças do espólio museológico que tinham sido usadas pelo monarca”, acrescenta a sindicalista, dando conta de que esta situação “continua a ser investigada pela Polícia Judiciária”.

Outro dos actos de gestão assumidos pela anterior directora terá afectado o local de nidificação de águia-de-bonelli em território da Tapada de Mafra. Paula Simões ordenou a realização de trabalhos de terraplenagem num caminho existente junto ao local onde se localiza um ninho da ave de rapina em plena época de nidificação. Esta é uma espécie que está protegida por um estatuto de conservação em Portugal que a define como estando “em perigo”.

“Por causa da estrada aberta mesmo por debaixo do ninho”, receia-se que a espécie tenha abandonado a tapada, admite Catarina Simão. Entretanto o sindicato apresentou ao grupo parlamentar do PCP um conjunto de questões sobre a afectação do local de nidificação do casal de águia-de-bonelli, que foram endereçadas ao Governo e que aguardam resposta.

Margarida Gago, delegada sindical na tapada de Mafra, disse ao PÚBLICO que “já é visível outro modo de actuar na gestão da cooperativa e um relacionamento mais saudável com os trabalhadores”, que os leva a acreditar numa mudança de atitude que defina com “maior respeito e clareza os direitos e os deveres dos funcionários”.

Fonte: Publico

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