Proprietários de caça podem vir a ser obrigados a ter seguro



Federação nacional de caçadores e proprietários quer alterações na legislação do setor, sendo o principal objetivo ressarcir caçadores e automobilistas de danos provocados pela caça maior.

Os proprietários de zonas de caça poderão ser obrigados na próxima época veneratória a ter um seguro para ressarcir terceiros de prejuízos decorrentes de acidentes provocados por caça maior. A proposta, apresentada na última semana ao Ministério da Agricultura pela Federação Nacional de Caçadores e Proprietários (FNCP), já está a ser analisada e poderá ser enquadrada na futura alteração do regime jurídico da caça.

“Há centenas de casos por ano no País relacionados com acidentes provocados por caça maior. Não só balas perdidas da caça ao javali ou veados que vão ao encontro de viaturas, como também as colisões entre carros e animais que saem das zonas de caça para as vias”, referiu ao Correio da Manhã o secretário-geral da FNCP, Eduardo Biscaia.

responsável sublinha, no entanto, que apesar deste tipo de acidentes ter cobertura pelo seguro automóvel contra todos os riscos, a maioria das pessoas tem condições para ter um seguro deste tipo. “Muitos automobilistas não têm este seguro e depois têm de suportar os prejuízos”, explicou Eduardo Biscaia, que deu como exemplo um caso ocorrido em Mora, no Alentejo: “Uma condutora colidiu com o carro num javali proveniente de uma zona de caça turística e há mais de um ano que ninguém assume os danos na viatura”. Segundo o dirigente da federação, que representa 22 mil caçadores, o Ministério da Agricultura remeteu a proposta para o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas.

Entre as propostas da FNCP está ainda a abolição da caça aos javalis pelo método de espera à noite. Nos últimos dez anos, tem-se agudizado a crise no setor da caça, com uma quebra no número de caçadores.

Pedida mais proibição em área ardida

A proibição da prática da atividade cinegética nas áreas ardidas dos atuais 30 dias para um ano foi outra das propostas apresentadas pela Federação Nacional de Caçadores e Proprietários (FNCP) ao Governo. “Não faz sentido a caça nas zonas ardidas ao fim de um mês.

Para além de haver muito pouca caça, a que existe é facilmente abatida, porque não tem refúgios”, refere Eduardo Biscaia, considerando como prioritária a “reflorestação e o repovoamento das espécies” nas áreas afetadas pelos fogos. A federação de caçadores também propôs a criação de novas cartografias, mais pormenorizadas.

Vírus está a dizimar coelhos

A população de coelhos-bravos em Portugal diminuiu entre 80 a 90 por cento, devido a uma nova estirpe do vírus que provoca a doença hemorrágica. “Tem uma mortalidade muito elevada. Em algumas regiões atinge 90%”, explicou ao CM Pedro Esteves, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.

A nova estirpe foi descoberta em França em 2010, identificada em Espanha em 2011 e chegou a Portugal em 2012. “O coelho-bravo é a base da cadeia alimentar de todo o ecossistema na Península Ibérica. É alimento para o gato-bravo, raposa, todas as aves de rapina e do lince-ibérico”, realçou o investigador, alertando para os problemas associados ao seu desaparecimento: “Todo o ecossistema, conforme o conhecemos, pode desaparecer”.

Fonte: Correio da Manhã



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