Proteção da vida selvagem exige gestão da serra da Lousã



Veados, corços e javalis constituem uma riqueza ambiental e cinegética da serra da Lousã que deve ser compatibilizada com outras atividades através de uma gestão integrada do território, defende o biólogo Carlos Fonseca.

Segundo o especialista, autarquias, associações de caçadores e compartes dos baldios, entre outras entidades, “têm cada vez mais de perceber que este território é uma unidade biológica e que tem de ser gerida de uma forma integrada”.

“O caminho será claramente haver um entendimento global”, o que implica “falar a uma única voz”, preconiza, em declarações à Lusa.

Doutorado em Biologia pela Universidade de Aveiro, Carlos Fonseca é o responsável científico do processo de reintrodução de veados e corços na serra da Lousã, iniciado em 1995, numa altura em que a presença de javalis já era significativa.

Os antigos Serviços Florestais libertaram na zona, entre 1995 e 1998, 65 corços importados de França.

De 1995 a 1999, a serra acolheu também 120 veados que o Estado possuía no Alentejo, na Herdade da Contenda, concelho de Moura, e na Tapada de Vila Viçosa.

Estima-se que existam atualmente na região mais de mil veados e pelo menos 700 corços, tendo sido detetados alguns destes animais em municípios afastados da área onde foi realizada a reintrodução.

A serra da Lousã abrange sete concelhos: Penela, Miranda do Corvo, Góis, Lousã, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande.

As populações de veados e corços “aumentaram de uma forma geral, nestes 18 anos, e expandiram-se para áreas subjacentes à serra”, refere o especialista.

“Temos um cenário que já existiu há algumas centenas de anos, sendo que ainda faltam aqui algumas espécies”, congratula-se.

No entanto, ocorrem problemas com os residentes “devido aos estragos” que os animais provocam nas culturas.

Esta conflitualidade “nem sempre foi acompanhada por uma evolução em termos de gestão”, admite o investigador, ao realçar que estes cervídeos em estado selvagem, tal como os rebanhos de cabras, contribuem para reduzir os incêndios.

“Com menos combustível na floresta, há pelo menos uma maior probabilidade de os incêndios não serem tão violentos”, esclarece.

Mas é necessário conciliar as atividades de caça, a exploração de lenhas e madeiras, a apicultura, o turismo e os desportos radicais, entre “outros recursos que a serra tem para oferecer”.

Em trabalho de reportagem, a Lusa acompanhou uma visita guiada por Carlos Fonseca com a participação de 27 estudantes e três professores do Colégio Comenius de Hilversum, na Holanda, no âmbito de um programa de turismo de natureza organizado pela associação Lousitânea e pelas empresas turísticas Recrea Roda, de Arganil, e Transserrano, de Góis.

A gestão dos recursos “passará sempre pela integração dos vários interesses”, através de um plano em que envolva municípios, compartes dos baldios, empresas de energia eólica e caçadores, além de entidades como a Lousitânea — Liga de Amigos da Serra da Lousã e o Parque Biológico da Serra da Lousã, em Miranda do Corvo, enfatiza o biólogo.

“Estamos num sítio da Rede Natura 2000″, onde, além da caça grossa, existem espécies raras ou em vias de extinção, como a cegonha-negra, diversas aves de rapina, salamandra-lusitânica, o lagarto-de-água e a víbora cornuda, acrescenta.

Fonte: LUSA



Gostou deste Post?

Speak Your Mind

*

Criação de Blogues e Sites em Wordpress | MisterWP