Rola brava (Streptopelia turtur)



 

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A rola-brava é um pequeno membro da família dos pombos e rolas (Columbidae), de pescoço fino, de forma semelhante a um pombo, embora mais leve e de cauda mais comprida.

A plumagem é azul-acinzentada no corpo e cabeça, e branca no peito e nas coberturas infra-caudais. De cada lado do pescoço possui riscas brancas e pretas (característica que a destingue da outra espécie de rola que pode ser observada no nosso país, rola-turca – Streptopelia decaocto). A cauda possui uma banda terminal branca. A pele à volta do olho e das patas é avermelhada. Apesar de não haver dimorfismo sexual, existem ligeiras diferenças entre sexos, entre indivíduos de diferentes idades e raças quer na plumagem quer no tamanho.

Distribuição
No Paleártico Ocidental existem quatro subespécies de rola, Streptopelia turtur: a S. t. turtur encontrada na Europa e Ásia Ocidental; a S. t. arenicola que ocorre desde o Norte de África até ao Médio oriente; a S. t. hoggara mais restrita ao Sahara Central; e a S. t. rufescens no Egipto e norte do Sudão.

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As duas primeiras são migradoras, passando o Inverno no Norte de África e no Sul de Sahara, enquanto as outras duas ou são sedentárias, ou realizam pequenos movimentos migratórios.

Na altura da reprodução, a rola-brava (S. t. turtur) migra até à Europa (desde a zona Mediterrânica até às regiões mais a norte), estimando-se que esta população seja de entre 2,8 e 14 milhões de casais reprodutores. Em Portugal tem estatuto de “vulnerável”.

As boas condições que a Península Ibérica tem para a reprodução e para alimentação (bosques e culturas cerealíferas), são a razão pela qual alguns indivíduos se fixam no nosso país. É uma espécie cinegética bastante apreciada pelos caçadores.

Ecologia
O habitat preferido por esta espécie na Europa, compreende um mosaico de orlas, matos arbustivos, bosquetes e zonas abertas, onde se alimenta. O alimento é composto basicamente por sementes bravas e agrícolas (alimenta-se preferencialmente no chão). A época da reprodução começa assim que chegam aos locais de reprodução. Espécie monogâmica.

Rola Brava

Alimentação
As rolas podem percorrer grandes distâncias para se alimentar e muitas vezes o território de reprodução não coincide com o de alimentação. Os locais de alimentação têm normalmente vegetação baixa e pouco densa. As sementes de culturas agrícolas são muito importantes, embora a quantidades ingerida não seja igual durante todo o ano, pois estas estão disponíveis imediatamente antes e depois de serem colhidas. As sementes agrícolas têm um valor nutritivo mais elevado do que as sementes bravias, e por isso o aumento do seu consumo é extremamente benéfico para o sucesso reprodutivo das rolas, apesar de não ser determinante.

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Reprodução
O ninho é normalmente uma pequena plataforma de ramos finos, construído principalmente pela fêmea, na copa das árvores ou arbusto altos, podendo também ser feito no meio da vegetação (numa orla) ou em árvores isoladas. As posturas variam entre um a três ovos, sendo a média de dois. Podem realizar até três posturas com sucesso, embora possam construir mais ninhos e realizar mais posturas de substituição, no caso de se perder uma postura ou juvenis. A incubação dura 13-16 dias, e é realizada quer pelo macho como pela fêmea.

Cerca de metade dos ovos postos eclodem com sucesso, sendo o restante predado (especialmente por corvídeos, como o gaio, Garrulus glandarius, e as pegas), abandonado ou perdido (por exemplo devido a infertilidade). Os juvenis tornam-se adultos, com capacidade de se reproduzir ao fim de um ano.

Factores de Ameaça

As modificações na paisagem agrícola alteraram o comportamento reprodutor e alimentar das rolas. A diminuição da área agrícola, apesar de não afectar o sucesso reprodutivo directamente, contribui para a diminuição da condição física dos adultos (devido à menor disponibilidade de alimento e à maior distância percorrida entre o local de nidificação e as áreas de alimentação). Consequentemente o número de tentativas de postura será menor, diminuindo a taxa de reprodução.

O aumento do uso de herbicidas diminui o número de espécies vegetais bravias numa área agrícola, tornando estas áreas menos atractivas para a alimentação. No Reino Unido a disponibilidade alimentar foi um dos factores que provocou uma diminuição na população de rolas.

A alteração dos habitats de nidificação e/ou alimentação devido à construção de infra-estruturas (barragens, parques eólicos, estradas), instalação de regadios, produção florestal, actividade de extracção de inertes.



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